Monday, 23 November 2009

Índice de rejeição?

Os dados são de uma pesquisa da CNT/Sensus, em uma matéria publicada no UOL.

Não descarto a chance de haver um certo viés na pesquisa, mas olhem que dados interessantes:

"O índice dos que não votariam em um candidato apoiado pelo atual presidente da República baixou de 20,2% em setembro para 16% em novembro. (...) Os percentuais dos que só votariam em um candidato apoiado por Lula mantiveram-se estáveis, passando de 20,8% para 20,1%."

(...)

"A pesquisa também considerou, pela primeira vez, um cenário de transferência de votos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, apontando que 49,3% não votariam em um candidato apoiado pelo tucano. (...) Apenas 3% afirmaram que o candidato apoiado pelo ex-presidente seria o único em que votariam."

Se esses dados forem realmente confiáveis, fica claro como a percepção do governo FHC foi afetada pela popularidade e o sucesso econômico de Lula. Má notícia para a oposição e parte da mídia brasileira que idolatra a sabedoria do ex-Presidente; bom cabo eleitoral ele não será.

Thursday, 19 November 2009

A política externa e comercial dos Estados Unidos

Na Folha de São Paulo, de 27 de outubro de 2009.

A política externa e comercial dos Estados Unidos

Para o Brasil, o momento é favorável. Pela primeira vez em duas décadas, não há receita pronta vinda de Washington

(pra quem tem acesso a Folha ou ao UOL - sempre quis fazer isso...)

Friday, 28 August 2009

Exportação de democracia

Dica de um amigo, o documentário 'Our Brand is Crisis' (Nossa Slogan é Crise) conta a história da eleição presidencial na Bolívia em 2002. O então candidato Gonzalo 'Goni' Sanchez de Lozada contratou os serviços da consultoria GCS, com sede em Washington DC, para definir sua estratégia de campanha. Goni é um empresário boliviano que cresceu nos EUA e já fora presidente do país entre 1993 e 1997. Fala espanhol até com sotaque. Os membors da GCS, nomes como Jeremy Rosner e James Carville, são pesos pesados no cenário político dos EUA. Estrategistas e lobistas de primeiríssima linha.

O documentário é um ótimo exemplo dos problemas de se exportar um determinado modelo político e econômico para situações completamente adversas das quais tal modelo foi inicialmente pensado. Muita gente critica a invasão militar e a idéia de exportação de democracia no Iraque e no Afeganistão. Na verdade, mesmo a exportação de um modelo inadequado por métodos suaves pode trazer consequências devastadoras para a sociedade, simplesmente por não estar adequado a condições específicas e a realidade de cada país. Ainda, quando a aplicação de tal modelo não se dá por vias violentas, suas consequências podem ser ainda piores por mais duradouras e difíceis de serem identificadas.

O pensamento político dos EUA tem como premissa a superioridade de seu sistema político e econômico liberal, e a universalidade de sua aplicação. As consequências são assustadoras.

(o filme está dividido em 10 partes no YouTube; posto as duas primeiras, depois é só seguir os links; vale a pena prestar atenção no slogan de campanha na segunda parte: 'Si, se puede!' - soa familiar?)




Thursday, 27 August 2009

Bagunça no Senado, Marina e quadro eleitoral para 2010

Programa Painel Globo News, de domingo 25/08/2010.

A análise do Abrúcio de porque o Lula errou ao salvar o Sarney - do ponto de vista estratégico eleitoral, não moral - é perfeita. (os primeiros 10min do segundo vídeo)




Tuesday, 12 May 2009

Intelectuais públicos

Na semana passada, Joseph Nye escreveu uma coluna no Washington Post sobre o distanciamento entre academia e governo na área de relações internacionais nos EUA. Quase que por ironia do destino, o próprio Nye foi indicado embaixador em Tóquio alguns dias depois.

O artigo, no entanto, traz pontos interessantes para discussão sobre o purismo acadêmico; algo para se pensar também no contexto brasileiro. Uma outra leitura interessante sobre o tema são as considerações do próprio Nye, Robert Keohane, Stephen Krasner e da canadense Janice Gross Stein feitas em um painel da conferência anual da International Studies Associantion em 2008. Os textos foram publicados na Cambridge Review of International Affairs (2009, Vol. 22, No. 1) com o título de 'Autobiographical reflections on bridging the policy–academy divide'.

Dando uma olhada no assunto acabei encontrando esse vídeo-debate entre Nye e Daniel Drezner. Pra quem tem tempo e interesse, valeu a pena ouvir os quase 50 minutos de bate-papo entre os dois.

Monday, 11 May 2009

Qualquer semelhança (não) é mera coincidência

O Daily Telegraph é o jornal mais quente do Reino Unido nas últimas semanas. Tudo porque eles conseguiram antecipar algumas informações de um relatório de despesas dos parlamentares britânicos que seria divulgado em alguns meses. Antecipar só não; o jornal esmiuçou as contas de integrantes de todos os partidos, incluindo ministros de estado, e encontrou fatos muito ‘curiosos’.

Essa onda toda começou semanas atrás quando o marido da Home Secretary, Jacqui Smith, por engano, pediu o reembolso ao parlamento de despesas, vejam vocês, de 5 filmes pornôs que haviam sido comprados via cartão de crédito em um pacote pay-per-view. O valor era irrisório, 67 libras, mas o maridão inocentemente confundiu-se na hora de pagar e depois não percebeu que estava pedindo reembolso de despesas ao parlamento.

Bom, não bastasse isso, o Daily Telegraph começou a pesquisar as prestações de contas dos parlamentares. Existe um mecanismo na lei britânica que permite aos membros do parlamento ser reembolsados por despesas que venham a incorrer em sua ‘segunda casa’. Como nem todos são originários de Londres, o estado cobre as despesas da segunda moradia na capital. Isso inclui, em alguns casos, reformas, compras de móveis, eletrodomésticos, etc.

Só que ao olhar a prestação de contas, vieram à tona coisas realmente mirabolantes. Desde carpete afegão, lustre de brilhantes, TVs de plasma, reforma de fachadas de mármore, até limpeza de piscina, trabalho de jardinagem, e afins. O mais ‘legal’ é que os parlamentares podem vender essas propriedades, ficar com todo o valor, e começar a reformar e mobiliar uma terceira, quarta propriedade, sem problema algum. Tudo dentro da lei.

Uma deliberação de uma corte inglesa ano passado decidiu que todas as despesas dos parlamentares deveriam ser disponibilizadas ao público. Um relatório, parcial, estava para ser publicado em julho, mas o Daily Telegraph se antecipou e começou a divulgar informações que teriam sido excluídas do documento oficial. O escândalo inclui governo e oposição; a mídia e a opinião pública não estão dando trégua aos parlamentares. Pedidos de desculpas e promessas de mudanças de lei já começaram a aparecer.

Soa familiar? A história sim, o desfecho, infelizmente para nós, eu acho que não. Mesmo que a anistia aos abusos passados ocorra no Reino Unido assim como ocorreu no parlamento brasileiro, as urnas serão muito mais cruéis com os políticos britânicos.

Wednesday, 6 May 2009

Usar o que é nosso

Tem um movimento muito bacana acontecendo nos últimos anos de retomada do espaço público em grandes cidades ao redor do mundo. O crescimento urbano desenfreado, a rotina acelerada do dia-a-dia, a exposição à violência e muitos outros fatores acabaram afastando as pessoas comuns de parques, praças, e espaços públicos em geral. A tendência das últimas décadas, por segurança ou conforto, foi voltar-se pra dentro: carros com vidros negros, ar-condicionado e música alta; ginástica na academia e não no parque; compras no shopping e não em lojas de rua; condomínios com ‘muros e grades’ e cada vez mais auto-suficientes.

Bom, algumas coisas estão mudando. A Virada Cultural em São Paulo me parece um exemplo disso: colocar a população em contato com a cidade. Outros projetos de reurbanização e paisagismo, ou iniciativas particulares, se espalham do parque da Luz à Rua Augusta. Em Nova Iorque existem projetos de se aumentar o espaço para pedestres e ciclistas em ruas no centro da cidade. Pelo mundo todo pessoas organizam guerras de travesseiros, com armas de água, passeios de bicicletas em massa e outros eventos que fazem uso de um espaço urbano que lhes é de direito.

Espaço público deveria ser isso aí: de uso público, de proveito público, de convívio público. Quem sabe um movimento desses não desperta um senso de comunidade nas pessoas, de responsabilidade compartilhada.

Em Londres, uma campanha publicitária de uma empresa de telefonia móvel está se aproveitando dessa idéia. O slogan da campanha é simples: a vida é pra ser compartilhada. Os vídeos abaixo mostram cartões postais de Londres sendo aproveitados de uma maneira bem diferente!